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  • Mariana Pavan

O fazer manual e offline

Meu hobby preferido, além de consertar as coisas, é cozinhar. E eu tenho acompanhado a maravilhosa @RitaLobo, que tem feito receitas incríveis e ajudado horrores quem não sabe cozinhar ou quem já tá sem ideias pra variar a comida na quarentena.

E hoje, escutando uma live do Panelinha, ela falou algo que casou demais com uma reflexão que eu venho fazendo, desde a criação do Agiliza, mas que tem estado escancarado na nossa cara nessa quarentena: “Quem sabe cozinhar tem escolha, não depende da indústria de ultraprocessados nem de outra pessoa, serviço de entrega, comida pronta e afins”.


Vou extrapolar e ir além só do cozinhar, e olhar pra esses “saberes e fazeres” manuais que tem ficado cada vez mais distante da nossa realidade cotidiana, seja cozinhar, seja saber usar ferramentas, costurar ou consertar as coisas em casa. Porque se você tá viva/vivo, você precisa comer. Se usa roupa, uma hora ela vai rasgar. Se você tem uma casa, ela vai ter pelo menos um chuveiro e uma tomada, e um dia, te garanto, elas vão quebrar.



E eu fiquei aqui pensando nesse distanciamento destas atividades, resultado não só da sua realidade pessoal (se seus pais sabiam fazer isso, se alguém te ensinou, se houve espaço/tempo/condições pra que você aprendesse isso em casa), mas também de um sistema todo, além do educacional, que afasta a gente destes temas e cria opções mais convenientes pra lidarmos com essas demandas que, muitas vezes, resolvemos com um clique só, no celular, mas que nos jogam nesse lugar de dependência e falta de autonomia. Tenho a sensação que, nesse período, tá todo mundo tendo que aprender alguma coisa na marra, seja cozinhar, fazer faxina, consertar as coisas, ou algo do tipo.

Não tô aqui pregando voltarmos a fazer essas coisas todas o tempo todo, ou nunca mais chamar alguém nem pedir delivery. Nem acho que precisamos saber fazer tudo isso com maestria, mas sinto que quanto mais coisa a gente sabe fazer na vida, menos perrengue a gente passa, nem que seja o bom e velho basicão. É como se tivéssemos mais instrumental pra lidar com esses imprevistos e conseguisse pelo menos se virar na hora que a coisa aperta e dá um jeitinho de resolver, ainda que provisoriamente, a situação.


Enfim, divagações da quarentena, mas que tem reforçado minha crença sobre o quanto nos serve ter um leque de conhecimentos práticos variados e da importância que existe em resgatar esses saberes mais calcados no offline. Existe o lado tangível e concreto da utilidade em saber se virar com os problemas deste tipo, quando eles aparecem, mas o processo é também interno e pode ser uma baita ferramenta de auto-descoberta e auto-conhecimento. Além do bônus de descobrir o prazer que existe em saber fazer as coisas, ter mais autonomia e se divertir também em deixar a casa com sua cara ou mais funcional. Não sei vocês, mas me dá uma paz de espírito quando eu conserto algo e vejo ela, finalmente, funcionando direitinho.

E você, tem aprendido ou explorado algum outro conhecimento ou fazer mais “manual e offline” que tem te ajudado (ou te divertido) por aí? Me conta qual?

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